Sejamos sinceros: a palavra «low cost» aplicada a algo que valorizas, como o teu carro, gera sempre uma mistura de atração e pânico. Atração pela poupança evidente, pânico pelas histórias de terror que ouviste. Deixar o meu carro, o meu fiel companheiro de batalhas diárias, nas mãos de um serviço «barato» durante uma semana?. A ideia provocava-me arrepios. Mas ali estava eu, com um voo ao amanhecer e a calculadora a deitar fumo pelo que custava o parque oficial do aeroporto.
Assim que dei o salto. Reservei online num low cost parking cujo nome soava eficiente mas cuja morada me levava, segundo o Google Maps, a um parque industrial a quinze minutos do terminal. Cheguei de noite, seguindo os escassos sinais. A minha primeira impressão foi… funcional. Não havia luzes de néon nem arcos de boas-vindas. Apenas uma vedação alta, uma pequena guarita iluminada e uma esplanada imensa, repleta de carros perfeitamente alinhados sob a luz alaranjada dos candeeiros. Sentia-se menos como um parque de luxo e mais como um acampamento militar de veículos.
O processo foi rápido, quase alarmantemente rápido. Um homem com um colete refletor recolheu os meus dados, reviu a minha reserva num tablet e disse-me: «Deixa-me as chaves, nós estacionamo-lo». Esse foi o verdadeiro salto de fé. Entregar as chaves do meu carro a um desconhecido num parque industrial às quatro da manhã. Senti uma pequena pontada de arrependimento. E se não estivesse quando voltasse? E se o usassem para fazer corridas?.
«A carrinha de transporte sai em dois minutos», disse-me, apontando para um minibus que esperava junto ao escritório. Subi, e em menos de dez minutos estava a sair na porta das Partidas, tal e como me tinham prometido.
Na semana da minha viagem tive esse pequeno pensamento recorrente: «Espero que o carro esteja bem». Ao aterrar de volta, liguei para o número que me tinham dado. «Estou no ponto de encontro». Em cinco minutos, a mesma carrinha estava ali. Levou-me de volta ao parque industrial, entregaram-me as minhas chaves e indicaram-me onde estava o meu carro, esperando-me numa zona de saída.
Revistei-o como um detetive: sem um arranhão, com os mesmos quilómetros (mais ou menos) e completamente intacto. Arranquei o motor, paguei a fatura (que era uma fração do custo oficial) e fui-me embora. Conduzir de volta a casa foi um alívio, mas também uma lição: tinha estacionado as minhas dúvidas e, francamente, tinha saído a ganhar.